"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

11 de mai de 2014

Os idosos são como crianças?

"Muitos idosos são dependentes, perdem sua capacidade funcional, necessitam de ajuda para cuidados pessoais, alimentação, fazer suas atividades de vida diária, evitar quedas... e às vezes expressam suas emoções através de choro ou outras condutas, porque não sabem (ou não podem) expressá-las de outra maneira.
Quando digo que podem ser comparados à crianças, é apenas no bom sentido da palavra. De fato, tanto crianças quanto idosos, necessitam de cuidados, atenção, paciência, carinho, compreensão e muita habilidade para lidar com eles. Mas sempre devemos lembrar que as pessoas idosas têm uma história de vida e de superação de dificuldades. 
Um post muito comentado esses dias (Por que não devemos falar com idosos como se fossem crianças), também se refere a esse assunto. Linguagem e tratamento infantis como formas pouco recomendáveis de nos comunicar com as pessoas idosas, sobretudo em situações de dependência. Algumas pessoas até consideram isso como uma forma de maltrato.
Segundo esse post do parágrafo anterior, utilizar diminutivos em excesso, usar um tom de voz infantil, falar continuamente em um tom muito alto, não levar em consideração o que o idoso diz, uso de muitos termos afetivos (em inglês se chama "elderspeak"), não são boas formas para conseguir uma boa comunicação com eles.
É certo que, às vezes, existem idosos que necessitam de uma adaptação em nosso vocabulário e uso de linguagem diferenciada para que haja entendimento: falar mais alto se não escuta bem (mas podemos nos aproximar e falarmos em tom normal), elaborar frases curtas para que o idoso processe mais rápido e melhor a informação, utilizar termos carinhosos ou afetivos se for reconfortante para a pessoa e talvez assim conseguimos arrancar um sorriso, etc.
Mas impor nossos critérios sem escutá-los, tratá-los como se não fossem capazes de fazer absolutamente nada por si mesmos, recorrer a frases com diminutivos, apelativos carinhosos ou até mesmo piadas (nem todo mundo gosta disso), ou considerar que reclamam muito porque eles estão "cheios de doenças da idade" pode gerar desconforto aos idosos, e causar ou potencializar uma barreira que dificulta a sua colaboração."

O debate proposto pelo fisioterapeuta Miguel López, em seu blog Tufisio.net, é bastante amplo. Acredito que os idosos não são como crianças e também não devem ser tratados como tal. Até mesmo essa comparação poderia ser evitada. Considerá-los e tratá-los como crianças são atitudes que vão de encontro a sua dignidade. 
Basta lembrar: Adaptar a linguagem, encontrar outras maneiras mais adequadas de se comunicar com os idosos, tratar com carinho... mas não precisamos "infantilizar"!


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