"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

23 de mai de 2014

Eletroterapia: contra-indicações e precauções em pacientes idosos

Como já foi comentado sobre a eletroterapia em uma postagem anterior (Eletroterapia: estimuladores e suas ações terapêuticas), é preciso conhecer as alterações orgânicas que ocorrem na terceira idade, bem como os riscos que os recursos eletroterápicos podem causar à saúde do idoso.
Assim, a estimulação elétrica não deve ser utilizada, ou deve ser aplicada com extremo cuidado de acordo com as orientações a seguir:
  • Não estimular eletricamente pacientes portadores de marcapasso cardíaco ou outros equipamentos elétricos implantados (pode ocorrer interferência entre os aparelhos);
  • Evitar o estímulo elétrico na região dos seios carotídeos ou da glote (pode haver interferência na pressão arterial);
  • Áreas com implantes metálicos;
  • Aplicar o estímulo com cuidado nos casos de doenças vasculares periféricas (principalmente quando há possibilidade de rompimento dos trombos);
  • Aplicar com cuidado em áreas com excesso de tecido adiposo (pode haver necessidade de altas doses de estimulação até que se observe a resposta desejada);
  • Evitar aplicações em áreas neoplásicas ou nos tecidos com infecção ativa (os efeitos circulatórios da estimulação podem agravas essas condições);
  • Pacientes senis, com dificuldade de fornecer informações sobre suas sensações, não devem ser submetidos a estimulação elétrica;
  • Monitorar a pressão arterial durante a aplicação em pacientes hiper ou hipotensos (a estimulação elétrica pode causar respostas autônomas).  
Precauções:
  • Deve existir um circuito isolado para cada equipamento;
  • Recomenda-se a utilização de estabilizadores de rede para isolar as oscilações da corrente;
  • Uso de fusíveis contra falhas de aterramento (proteção para o paciente e para o aparelho);
  • Os equipamentos devem ser tecnicamente aprovados;
  • Não usar estimuladores a menos de 3 metros de distância dos equipamentos de ondas curtas ou microondas;
  • Sempre checar o funcionamento do aparelho (controles, plugs, luzes, cabos, etc.);
  • Antes de aplicar os eletrodos no paciente, sempre girar os controles de amplitude de saída para o "zero", ajustar os parâmetros e aumentar gradativamente a amplitude da estimulação. Após a aplicação, reduzir a intensidade antes de desligar o aparelho;
  • Nunca aumentar a amplitude durante o tempo "off";
  • Nunca remova os eletrodos enquanto a corrente estiver sendo aplicada no paciente;
  • Utilizar eletrodos em bom estado (se o acoplamento não for adequado, observa-se uma significativa queda na tolerância do paciente à corrente);
  • Utilizar uma generosa camada de gel entre o eletrodo e a pele do paciente idoso (lembre-se: o ressecamento e aspereza da pele é um dos aspectos mais fáceis de se observar na terceira idade);
  • Sempre explicar os procedimentos ao paciente: descrever as sensações que ele deverá ter e interromper o tratamento se as percepções do paciente não forem as previstas;
  • Após a aplicação, observar o estado de pele sob os eletrodos (uma densidade de corrente muito alta pode causar lesões dérmicas, sem que o paciente perceba (diminuição da sensibilidade tátil na terceira idade)).

Referência:
- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A prática da assistência ao idoso. 2ªEdição; Editora Manole, 2007. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário